O que é Swift, o sistema financeiro global?

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O que é Swift, o sistema financeiro global?
11/03/2022

A União Europeia excluiu na quarta-feira (2) sete bancos russos do sistema financeiro internacional Swift, principal sistema de transferências internacionais do mundo. O bloqueio entrará em vigor a partir de 12 de março.

O Swift é uma sigla em inglês para Sociedade de Telecomunicações Financeiras Interbancárias Mundiais. É uma cooperativa internacional criada em Bruxelas em 1973 e apoiada por 239 bancos em 15 países. Hoje já conta com mais de 111 mil instituições financeiras de mais de 200 países, incluindo a Rússia. Seu objetivo é ser um canal de comunicação e padronização das transações financeiras, agilizando assim a economia global.

As mensagens do sistema são consideradas seguras por manter garantias baseadas principalmente em alta redundância de hardware, software e de pessoas. Ou seja, para uma mensagem chegar ao seu receptor, é preciso passar por uma série de protocolos de confirmação. O sistema opera em redes fechadas só com pessoas autorizadas a usá-lo, além de ser criptografado. Em 2020, cerca de 38 milhões de "mensagens FIN" Swift foram enviadas diariamente pela plataforma.

A Rússia é o segundo maior país no Swift (perde para os EUA). De acordo com a associação nacional Ros SWIFT, são cerca de 300 bancos pertencendo ao sistema — mais da metade das instituições financeiras do país. A retirada de sete bancos buscou restringir a economia do país. Foram barrados por enquanto o VTB, o segundo maior banco da Rússia, além do Bank Otkritie, o Novicombank (financiamento industrial), o Promsvyazbank, o Rossiya Bank, o Sovcombank e o VEB (banco de desenvolvimento do regime).

A União Europeia poupou dois bancos ligados à venda de hidrocarbonetos. O Sberbank, o maior credor da Rússia, e o Gazprombank não foram incluídos porque são os principais canais para pagamentos de petróleo e gás russos. A União Europeia segue comprando esses materiais do país.

O que banimento do Swift significa para a Rússia em guerra e para o resto do mundo?
A ideia é impedir os bancos russos de terem acesso a qualquer dinheiro do exterior e, com isso, enfraquecer o poder econômico da nação em guerra. Além disso, o país ficaria de fora dos maiores mercados financeiros e será mais difícil para empresas e pessoas físicas russas pagarem por importações e exportações, empréstimos ou investimentos no exterior.

Um banimento de todos os bancos russos não seria ruim apenas para a Rússia. Empresas e governos com negócios com o país teriam mais dificuldades de concretizar a venda e compra de produtos.

Por outro lado, os bancos banidos podem usar outros canais para pagamentos, como telefones, aplicativos de mensagens ou e-mail. Assim, conseguiriam realizar algumas transações com países que não impuseram sanções, mas como são meios menos eficientes e seguros, isso impactaria nos custos e volume de operações, gerando atrasos de pagamentos ou desistências de negócios.

Algo parecido aconteceu com o Irã, quando o país foi excluído do Swift por conta do seu avançado programa nuclear. Na época, em 2012, instituições de comércio exterior brasileiras continuaram a fazer negócios com o país passando o dinheiro por nações terceiros. Além disso, hoje dá para realizar pagamentos via criptomoedas.

Desde 2014, a Rússia desenvolve seu próprio sistema de transferências internacionais, o Sistema de Transferência de Mensagens Financeiras do Banco da Rússia (SPFS). A plataforma deve funcionar como um concorrente do Swift controlada por Moscou. No último levantamento, no ano passado, o sistema contava com 23 bancos de países como Armênia, Bielorrússia, Alemanha, Cazaquistão, Quirguistão e Suíça.

 

Fonte: UOL, Canal Tech